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IndulgĂȘncia

Até agora, aprendemos que disciplina e autocontrole são:

  1. Mais fĂĄceis para pessoas com perfil naturalmente mais obsessivo

  2. Podem exacerbar a tendĂȘncia ao perfeccionismo

  3. Dependem de motivação e muita energia

  4. Muitas vezes superam a nossa disponibilidade de energia mental e causam exaustĂŁo

(Leia os posts anteriores para entender)


Sabemos também que nosso cérebro é naturalmente programado para a preguiça e buscarå sempre a forma mais fåcil pra fazer alguma atividade. Diante disso, o excesso de demandas por atenção e controle gera um estado mental de estresse. E o que pouca gente entende é que essa sobrecarga de estresse é um dos fatores pelos quais a gente não consegue manter o controle durante tanto tempo em um objetivo que exija muita energia.


A autoindulgĂȘncia, isto Ă©, o modo desligado e permissivo, em que nos autorizamos tudo e mais um pouco, sĂŁo uma estratĂ©gia para compensar o estresse e buscar um pouco de alĂ­vio e um estado mental relaxado. Esse Ă© o famoso “pau da barraca” que Ă© chutado apĂłs semanas de dieta restritiva, trabalho intenso, treinos pesados, estudos aprofundados. A autoindulgĂȘncia vem nas entrelinhas do “hoje pode” ou do “eu mereço”. SĂŁo aqueles momentos de relaxamento total, de hedonismo completo.


O problema da autoindulgĂȘncia nĂŁo Ă© a autorização para ter momentos de prazer. A questĂŁo Ă© que viver nos extremos do autocontrole impecĂĄvel e exaustivo necessariamente vai nos levar ao outro extremo, do desligamento total e inconsequente. O resultado disso Ă© a alimentação do ciclo de culpa e de autojulgamento. Aos poucos, os momentos de prazer passam a ser misturados com aquele sentimento de fracasso, e lĂĄ no fundo da mente fica aquela voz que diz “vocĂȘ tĂĄ fazendo tudo errado” e te fazendo acreditar que tudo isso Ă© falta de vergonha na cara, indisciplina e falta de força de vontade.


VocĂȘ jĂĄ observou quantas coisas estĂĄ tentando dar conta ao mesmo tempo? E quem te deu essa lista de coisas como metas? SerĂĄ que vocĂȘ estĂĄ sendo justo com os seus limites e suas condiçÔes, e se exigindo na medida das suas capacidades, ou estĂĄ tentando atender a parĂąmetros irreais?


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Maíra Colombarolli

​Especializada em Neuropsicologia Clínica, Psicóloga por formação, pesquisadora por vocação.

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